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Mostrando postagens de janeiro, 2026
 Aquele espinho no dedo que não quer sair, aquela dor na alma que não quer sumir, tudo aquilo tem um motivo, tudo tem um sentido, um porque  de existência Existe uma insistência na sociedade da qual sou parte, no poder da superação. Superar é ser forte, superar é ser resiliente, é estar acima da vulnerabilidade humana que nos apavora tanto.  Mas e se você não puder super ar?  E se você só puder sobreviver, com o espinho que virou calo e que vai doer sempre que você pensar na ferida que existia alí? E se você só puder exigir de si mesmo continuar existindo com o espinho no pé que dói a cada pisada, ou com aquela dor na alma que não vai deixar de existir porque os cortes que fizeram na sua são muito profundos, e mesmo cicatrizes tem o poder de doer intensamente, ainda que não sangrem.  Se a tua identidade for tão definida pelas escaras das costas, as marcas que os amores não retribuídos deixaram forem tão intensas que não dá pra apagar, esquecer e seguir em frente...
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 Quando a criação se transforma em investigação. Recentemente alguém me pediu pra ilustrar um buraco. Literalmente, me apresentaram uma obra do artista francês Hervé Tullet, que aptamente se chama O livro com um buraco. E me pediram para ilustrar o livro, com ideias interativas em volta do buraco. A pessoa em questão, orientadora da escola em que trabalho, se recusou a me passar suas ideias, insistindo que eu desenvolvesse as minhas ideias em volta do buraco.  Afirmo, com bastante certeza, que nada me fez ter medo como esse livro. Com exceção, talvez, das crises insanas de pânico que tive no passado, isso é totalmente diferente. O medo causado pela ansiedade generalizada é um. O medo de errar é outro. O medo de viver com medo é um mote dentro das síndromes do pãnico e do transtorno pós-traumático. O medo de errar no papel em branco é um outro estado de antecipação e ansiedade. É o montante de possibilidades misturado com o tanto de falhas possíveis que podem levar à derisão, a...
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O oposto da cura   Brinco às vezes de buscar o oposto das palavras, só pra manter o vocabulário. E também porque me pergunto sempre: há algum valor no negativo? Por exemplo, para quem desenha, o negativo é uma parte valiosa do processo de aprendizagem. São aqueles espaços em volta da forma que você tem que aprender a observar. O negativo de uma cadeira é o que não é cadeira,é o que está em volta da cadeira. Então o negativo pode ser dito o vazio, mas também pode ser outro espaço onde o ar se move e pelo qual o positivo se define.  Por exemplo, o oposto da cura é o desleixo, o descuido, a negligência. Mas há algum valor nestes opostos? O oposto pode apresentar um contraponto, uma ilusão a ser observada com olhos perceptivos e sem julgamento. Desleixo é a ilusão de que nada importa, então nada precisa ser aprimorado. A procrastinação é parte da dinâmica entre a negação da dor e a busca do prazer. Negligenciar é não dar atenção, é deixar de lado, é não cuidar.  No desenho, o...